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Uma geração à deriva

Por Sidnei Oliveira | 7 de junho de 2016


Os jovens de hoje são cheios de energia. Vivem em uma realidade de imensas possibilidades e possuem recursos inimagináveis em outros tempos. Jamais houve uma geração tão estimulada como essa. Contudo, quando observamos os comportamentos, com muita facilidade identificamos desânimo, desencanto e falta de propósito.

Tudo isso junto e misturado!

As coisas criadas nos últimos anos deviam colaborar para que uma ruptura cultural acontecessem pelas mãos desses jovens.

Esperávamos que os jovens, e não os veteranos, protagonizassem a maioria das transformações sociais, dos novos modelos de gestão e das ideias absolutamente inovadoras, afinal, eles“tiveram muito mais recursos e liberdade” que as gerações anteriores.

O que foi que aconteceu? Arrisco um diagnóstico…

Atualmente, os jovens estão menos preparados para lidar com frustrações e dificuldades. As mudanças educacionais dos últimos 25 anos, resultantes de fatores como crescimento econômico, estabilidade político-social e as transformações no conceito de família, somados a uma cultura protecionista, bem característica dos brasileiros, criaram uma geração de jovens mais frágeis.

Justamente por terem sido menos expostos à situações de frustrações quando comparado com as gerações anteriores.

...ao se evitar as cicatrizes de forma sistemática, tiramos também os aprendizados gerados pelas dificuldades e frustrações...

A ideia de proteger o jovem se ampliou de tal forma, que ultrapassou o limite que permite as experiências se transformarem em fator de amadurecimento. 

Ao se evitar as cicatrizes de forma sistemática, tiramos também os aprendizados gerados pelas dificuldades e frustrações, fruto das escolhas, ou seja, construímos uma geração de jovens que não desenvolveram total consciência das consequências de suas próprias decisões.



Eles se tornaram mais dependentes de ajuda externa para lidar com seus desafios. Aliás, desenvolveram um conceito “falso”, de que podem sempre escolher quais são os desafios que irão enfrentar, ou seja, se não for algo que “gostam”, podem simplesmente recusar…#ilusão

Esse comportamento é muito comum no mercado de trabalho, quando ainda vemos declarações de jovens sobre “trabalhar somente no que gosta”, mesmo diante de uma crise econômica estupenda, onde o desemprego atinge números recordes e milhares de empresas fecham as portas.

Será que isso tem a ver com um princípio atribuído ao mestre Confúcio? Trabalhe com aquilo que gosta e não terá que trabalhar um dia sequer na vida.

O conceito de viver uma vida sem se preocupar com as consequências (alguém vai se preocupar) cria um estilo de vida que prioriza a satisfação pessoal. 

Evidentemente isso raramente é possível no mercado de trabalho atual, onde empresas buscam alcançar resultados para garantir a própria sobrevivência e continuidade.

Sei que os jovens estão aflitos para entrar no mercado de trabalho para identificarem seus propósitos, entretanto, como têm muito medo das falhas que podem ocorrer nesse processo, eles sentem-se pressionados por uma realidade dura que não conhecem e, muitas vezes, acreditam que não tem competências para lidar. 

Por isso, acabam contestando toda realidade atual, exigindo diferenciação na relação com o trabalho ou então se mostrando relativamente paralisados diante das dificuldades…

Não é difícil perceber que, parte dos jovens de hoje, fazem parte de uma geração à deriva – aqueles que estão “esperando” algo acontecer para avançar.

Até quando? Quem poderá tirá-los dessa condição?



A resposta está no próprio jovem, pois ele está prestes a mostrar sua força e sua energia, mas esse será um outro artigo!

Agora é com você!


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Mentor, escritor e consultor de carreira. Autor de vários livros sobre Liderança e dos best-sellers da série Geração Y. Formado em Comunicação e Administração de Empresas. Atualmente presidente da Escola de Mentores e vice-presidente do Instituto Atlantis de preservação ambiental. É também articulista e colunista na Exame.com. Saiba mais...