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Reticências...

Por Flávio Resende | 24 de maio de 2016


Que não me escutem os meus ditos “inimigos”, mas, ok, eu confesso: tenho dificuldades, sérias dificuldades com as pendências na vida. De toda ordem: sejam relacionadas às questões pessoais, às atividades do trabalho ou, simplesmente, a tudo que precisa ser resolvido.

Em resumo: resolver é comigo mesmo.

Do alto dos meus 38 anos, achei que esta fosse uma qualidade, um diferencial que me levava a atingir resultados, edificar sonhos, construir e materializar o que, até então, estava no campo das ideias e do planejamento. De fato, é uma virtude.

Reconheço e regozijo-me por grande parte das minhas conquistas, graças a este padrão comportamental e a esta forma de lidar e enxergar as coisas.

À minha volta, vejo muita gente exatamente com dificuldade contrária: de fechar ciclos. Pessoas que abrem mil frentes; e têm baixa capacidade de encerrá-las, esgotá-las.



Com o tempo, e com os desafios impostos “goela a baixo” pela vida, fui entendendo que há temas que não se fecham quando a gente quer, no nosso tempo.

Mas a ansiedade e a necessidade de controle levam-nos a sofrer com as reticências da vida, com o tempo do outro, com um fechar de portas que não, necessariamente, depende de nós. Aliás, na maior parte das vezes, não depende.

Este tem sido o meu aprendizado: conviver com as reticências – um movimento visceral que ora me gera ansiedade em escala máxima, ora beira à ânsia de vômito.

A propósito, é muito simbólico sentir vontade de pôr para fora algo que está dentro da gente, e que incomoda. Daí a expressão “visceral”, utilizada algumas linhas acima. Mexe com as nossas entranhas, com as nossas vísceras, com o que, em algum momento, passou a nos constituir.

As reticências evidenciam-nos que não nos cabe estabelecer o ponto final de nada, que não temos este poder. Que por mais que nos esforçamos, nem tudo depende de nós.

Na prática, acredito sermos eternos aprendizes na medida em que vamos amadurecendo, simplificamos a vida e compreendemos que não temos controle de absolutamente nada; que pontos finais devem ser intercalados com vírgulas, reticências, exclamações, interrogações. 



Assim, as reticências, de alguma forma, nos sinalizam que sempre há espaço para mais. E que a vida, do seu jeito, sempre se renova e se recicla.

Estas reflexões me encaminharam para uma nova perspectiva: como é relaxar e deixar as coisas como estão? O que ganho com isso? O que, realmente, perco? Sou capaz?

Numa aula, há alguns anos, da Pós-Graduação em Coaching, relatei esta minha dificuldade aos colegas de turma. 

Foi quando a professora, sensível como só ela é capaz de ser, provocou-me: 

Vamos imaginar uma parede. Nela existe um quadro que você, simplesmente, adora. Um dia, por algum motivo, este quadro foi retirado e, em seu lugar, ficou a marca - do sol e do tempo-, assim como o prego que sustentava a tal obra de arte. Como é, para você, olhar para parede imperfeita e não tomar uma atitude? 

Na sequência, ela abriu comigo algumas possibilidades: 
  1. Substituir o quadro; 
  2. Mandar pintar a parede; 
  3. Apenas tirar o prego; 
  4. Não fazer nada; 
  5. Contemplar a parede, pelo maior tempo que conseguisse, e refletir sobre o que isso tem a me dizer.
Não preciso admitir que fiquei dias pensando no que tinha a aprender com aquela história. Me pus a lembrar de quantos “buracos” era capaz de manter abertos na “parede da minha vida”, questionando-me de onde vinham tantos incômodos; que sentido eles tinham; qual a origem deles; que possibilidades se abriam para mim a partir destas reflexões.

Não demorou muito para eu ter a resposta. Mas como colocá-las em prática? O que isso revelava sobre mim?

As indagações, ainda hoje, seguem o seu curso e mantém-se vivas dentro do meu coração, com provocações frequentes na minha vida prática e cotidiana.

Sinto que, aos poucos, mais lentamente do que julgava adequado, vou assimilando o aprendizado e me lançando numa outra forma de atuar no mundo.

Com isso, vou experimentando não ter respostas nem Gestalts fechadas, para um fluir que, simplesmente, é o que é. Com isso, fecho este texto, mas não as suas reticências...

Agora é com você! 

Imagem: Qalinx

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Imagens: Visual Hunt
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Flávio Resende é jornalista, empresário e coach ontológico. Sua especialidade são as áreas de Life Coaching e Coaching Empresarial. O foco do trabalho é para que os profissionais desenvolvam novas habilidades e as competências necessárias para o alcance de alta performance no ambiente empresarial. Saiba mais...